quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Mecanismos de defesa dos seres humanos

Guia rápido do que você faz e nem percebe!

Catitimia
Esse tipo de mecanismo de defesa indica a ação que as tendências afetivas exercem sobre a percepção da realidade. Ex.: quando estamos apaixonados, a tal da catitimia só nos leva a ver qualidade em nossa enamorada. Às vezes, exageramos as dimensões das coisas que nos causam medo. Ex.: "você viu aquela serpente de quase 3 metros, tive que pular um barranco para fugir dela..."
Assim, o interesse positivo (amor) ou o negativo (medo) dirigem a atenção para determinada zona da realidade e afasta as outras, dando um valor de acordo com a orientação racional. Na catitimia, o indivíduo enxerga por meio de "óculos", e a cor dos seus óculos é que determina a cor da realidade.

Regressão
Pela regressão, o sujeito adota modos de pensar, atitudes e comportamentos característicos de uma fase de desenvolvimento anterior. Frente a uma frustração ou incapacidade de resolver problemas, a criança ou adulto regridem, procurando a proteção de épocas passadas. Assim, o nascimento de um irmão pode levar uma criança a fazer xixi na cama ou um adulto, face a problemas, pode fugir à realidade refugiando-se em atitudes infantis (dependência excessiva, choro, chantagem,, etc.).

Recalque
No recalque ocorre uma supressão de parte da realidade, ou seja, o indivíduo "não vê" ou "não ouve" o que está acontecendo. O sujeito envia para o id as pulsões, desejos e sentimentos que não pode admitir no seu ego. Ex.: a lembrança incorreta de um fato desagradável acontecido muito tempo atrás. Certas pessoas chegam a não lembrar nem mesmo de que houve o fato.
Os conteúdos recalcados, apesar de inconscientes, continuam atuantes e tendem a reaparecer de forma disfarçada (sonhos, atos, lapsos de linguagem,, etc.).
O recalque de um desejo não é uma negação consciente, é uma inibição num nível mais profundo da personalidade. O fato de ser inconsciente poupa a personalidade consciente de um conflito penoso.

Repressão
Repressão: impede que pensamentos dolorosos cheguem à consciência, afastando a lembrança de determinados fatos, apesar de continuar armazenados no inconsciente. Se no recalque a pessoa apaga totalmente a experiência, na repressão são detalhes que são esquecidos ou apagados. Esses detalhes geralmente são incompatíveis com a auto-imagem que estamos tentando manter.

Sublimação
É o mecanismo de defesa mais aprovado pela sociedade. Quando temos um impulso que não podemos expressar diretamente, reprimimos a sua forma original, e o deixamos emergir sob uma forma que não perturbe a outrem ou a nós próprios.
Quando um impulso primitivo é inaceitável para o ego, é modificado de forma a se tornar socialmente aceitável, isso é sublimação. Exemplo do jogador de futebol, que sublima a agressividade chutando a bola. (substitui o objeto inicial da agressividade pela bola).

Racionalização
A racionalização é utilizada nas mais diferentes situações, quer envolvendo frustração quer envolvendo culpa. Ocorre pelo uso da razão na explicação de estados "deformados" da consciência. O racional é usado para explicar o irracional, tomadas de posições sem sentido.
Quando as pessoas fazem coisas que não deviam, é comum sentirem culpa e, ao invés de admitirem a razão real de seu comportamento, preferem com freqüência racionalizar inventando razões plausíveis para o seu ato. Ex.: Um funcionário tira dinheiro do caixa e é descoberto. Neste momento, argumenta que estava precisando muito e que no próximo mês devolveria todo o valor. Ou aquele rapaz que se apaixonou por uma menina e não foi correspondido por algum motivo e diz para os colegas: - Tudo bem, ela tem nariz grande e não me serve.

Projeção
Projetamos no mundo externo aquilo que não podemos ver em nós, que nos é doloroso, desagradável. Criticamos atos dos outros praticados também por nós, atribuímos defeitos aos outros que são nossos e não suportamos. Em outras palavras, pela projeção, o sujeito atribui aos outros (à sociedade, a pessoas, a objetos) desejos, idéias, características que não consegue admitir em si próprio. São reflexos desde processo, frases como: aquele indivíduo não suporta críticas; a sociedade não tem ideais solidários; a boneca é má, etc., sendo que a pessoa que as profere é que tem esses sentimentos. Outro exemplo é o gerente que sempre chega atrasado ao trabalho e reclama ao superintendente geral que seu funcionário nunca chega pontualmente.

Deslocamento
Este mecanismo está relacionado à sublimação e consiste em desviar o impulso de sua expressão direta. Nesse caso, o impulso não muda de forma, mas é deslocado de seu alvo original para outro. Ex.: Ao ser despedido de uma empresa, um funcionário leal sente raiva e hostilidade pela forma como foi tratado, mas, usualmente, tem dificuldade de expressar seus sentimentos de forma direta. Pelo mecanismo do deslocamento, descarregamos a nossa agressividade em pessoas ou objetos menos perigosos. Diante do nosso chefe onde trabalhamos, mesmo sendo pisoteados, ficamos controlados, depois descarregamos em outras pessoas ou objetos aquela raiva despertada. Muitas brigas em família são provocadas por acontecimentos externos e, às vezes, atiramos um objeto ao solo, descarregando a energia suficiente para agredir uma pessoa.

Formação reativa
É a inversão do verdadeiro desejo. Às vezes, quando as pessoas se sentem ameaçadas por um impulso opressor, podem combatê-lo indo para o extremo oposto. Assim, uma pessoa pode ser demasiado amável e atenta com alguém que odeia; um sujeito afasta-se de quem gosta; manifesta uma excessiva caridade para esconder um sadismo latente; uma pessoa submissa e dócil pode esconder um dominador violento.

Conclusão
Para um indivíduo, a percepção de um acontecimento, do mundo externo ou do mundo interno, pode ser algo muito constrangedor, doloroso, desorganizador. Para evitar este desprazer, a pessoa inconscientemente "deforma" ou suprime a realidade − deixa de registrar percepções externas, afasta determinados conteúdos psíquicos e, assim, interfere no pensamento. São vários os mecanismos que o indivíduo pode usar para realizar esta deformação da realidade, o qual chamamos de mecanismos de defesa.
São justamente estes mecanismos que vão regular o comportamento para um padrão ajustado ou desajustado, poderá depender da intensidade em que ele reprime certas emoções, e/ou fatos que ele não queira ou não saiba lidar.
Então, o uso destes mecanismos é de fundamental importância para a preservação do ego e, assim, manter condições constantes de excitação no nosso organismo, e também promover com sucesso, uma integração entre o indivíduo e o mundo externo

Nenhum comentário: